Uma cosmologia atlântica.
Os Nove Mundos da Serpente não são um universo inventado. São uma hipótese poética para reler o Atlântico.
Um corredor mítico entre Ofir e a Islândia, organizado como uma cosmologia inspirada nos nove mundos nórdicos — mas reinterpretada através da paisagem atlântica europeia, da arqueologia, das lendas, da memória e da experiência territorial. Cada mundo é um território real. Cada território é uma manifestação diferente da serpente atlântica.
Não uma serpente literal. Uma força telúrica, uma memória subterrânea, uma linha de água, um conhecimento oculto. A serpente que atravessa paisagens, petroglifos, poços sagrados, cidades submersas e gelo primordial — sempre liminar, sempre nos lugares onde algo sobrevive por baixo da realidade visível.
Ophiussa não desapareceu. Fragmentou-se.
OS NOVE MUNDOS
Minho — Midgard / A Serpente da Terra Viva O mundo humano e territorial. Mouras, rios, castros, nevoeiro atlântico. A ancestralidade húmida de uma paisagem onde a memória nunca secou completamente.
Galiza — Svartalfheim / A Serpente Mineral Pedras gravadas, petroglifos, mundo subterrâneo. A Galiza não mostra. Sussurra.
Bretanha — Vanaheim / A Serpente das Águas Antigas Poços sagrados, deusas aquáticas, neblina, marés. Um território onde o invisível ainda tem direito à existência.
Vale do Boyne — Alfheim / A Serpente da Luz Espirais neolíticas, alinhamentos solares, geometria ritual. A serpente deixa de rasteja e ascende.
Snowdonia — Jotunheim / A Serpente-Dragão Montanhas, vento, forças primordiais, dragões galeses. O corpo geológico do dragão atlântico.
Cornualha — Helheim / A Serpente Afundada Cidades submersas, ruína arturiana, costa em erosão. A dimensão espectral de Ophiussa.
Nordfjord — Niflheim / A Serpente do Gelo Gelo primordial, silêncio, névoa, suspensão temporal. Antes da linguagem. A serpente hiberna.
Faroé — Muspelheim / A Serpente do Caos Oceânico Vento, falésia, colisão. Um território onde o mundo ainda está a formar-se.
Lagarfljót / Ásbyrgi — Asgard / A Serpente Cósmica A lenda da Lagarfljótsormurinn. A ferida divina de Ásbyrgi. A serpente revela-se como estrutura invisível que liga todos os mundos.
Projecto longo. Em construção permanente. Formatos: jardim digital, série ensaística, atlas visual, instalação conceptual, worldbuilding transmedia.