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De D. Pedro de Cantábria a Inácio Perestrelo. Uma história familiar atravessada pela história da Península Ibérica.

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De D. Pedro de Cantábria a Inácio Perestrelo. Uma história familiar atravessada pela história da Península Ibérica.

O campo Linhagem investiga uma linha familiar como via de acesso à história política, social e territorial da Península Ibérica.

O percurso começa no século VIII, com D. Pedro de Cantábria, dux visigodo associado às origens do reino das Astúrias, e avança através dos séculos até Inácio Perestrelo Marinho Pereira, militar liberal executado em 1829. O trabalho não procura construir uma narrativa de grandeza familiar. Procura compreender como uma linhagem particular transporta fragmentos da história colectiva — transformações políticas, deslocações, alianças, perdas e formas de transmissão da memória.

D. Pedro e Inácio ocupam posições históricas muito diferentes. O que os aproxima é a sua reduzida presença nas narrativas mais conhecidas sobre os períodos em que viveram, e o modo como a investigação contemporânea procura reconstruir o seu lugar.

Tese

Uma genealogia familiar pode constituir uma forma legítima de investigação histórica quando é submetida ao confronto com fontes, cronologias e contextos. Uma árvore genealógica não regista apenas parentesco — regista deslocações, mudanças de estatuto, conflitos políticos e transformações sociais. Lida criticamente, permite observar a história de uma região através da escala particular de uma família.

D. Pedro de Cantábria abre a investigação para o mundo visigótico e para as origens das Astúrias. Inácio Perestrelo conduz ao liberalismo português, à repressão miguelista e às lutas constitucionais do início do século XIX. A investigação não apresenta a continuidade genealógica como continuidade de carácter ou destino — é uma relação documental entre pessoas separadas por contextos históricos profundamente distintos.

O sistema de marcação epistemológica de Anamnese acompanha toda a investigação: documentado · provável · interpretado · transmitido oralmente · imaginado · ficcionalizado. No campo Linhagem, o núcleo principal é documental — as tradições familiares podem orientar a pesquisa, mas não substituem a prova histórica.

Artefactos

D. Pedro de Cantábria — O Fundador Esquecido

Ensaio histórico e interpretativo dedicado a D. Pedro de Cantábria, dux visigodo do século VIII e pai de Afonso I das Astúrias. Investiga a sua presença nas crónicas asturianas, o seu papel na transição entre o mundo visigótico e a formação política das Astúrias, e a reduzida visibilidade que possui nas narrativas contemporâneas sobre esse período.

Estado: estrutura criada; investigação em curso; escrita por iniciar.

O Bravo Coronel Perestrelo — A Conspiração de 1829

Monografia histórica dedicada à vida de Inácio Perestrelo Marinho Pereira, militar ligado à causa liberal, morto em 1829 durante a repressão miguelista. Reconstitui a sua carreira militar, o regresso a Portugal, a prisão sob nome falso, o julgamento e a execução.

Inácio regressou do exílio por Helena Dulac, sua noiva — e foi por essa ligação que acabou identificado, preso e morto. Inácio nasceu em Ponte de Lima, junto ao rio Lima, associado desde a Antiguidade ao Lethes, o rio do esquecimento: um homem afastado da narrativa histórica nacional, nascido à margem de um rio que a tradição dizia apagar a memória.

Estado: em revisão. Horizonte de publicação: 2029, bicentenário da execução.

A Casa do Lago

Romance que ficciona o amor entre Inácio Perestrelo e Helena Dulac, com fundamento histórico — funciona como contraponto literário à investigação documental da monografia, não como segunda monografia. O núcleo factual (a identidade dos dois, o regresso, a execução) é o mesmo da investigação histórica; tudo o que excede esse núcleo pertence ao trabalho de invenção e é assinalado como tal.

Helena Dulac é também figura própria na Galeria das Sombras e raiz do heterónimo Lady DuLac, no campo Espelho — A Casa do Lago é o ponto onde estas três linhas do projecto se tocam.

Estado: em revisão.

Árvore genealógica documentada

Cartografia visual da linhagem, do passado até ao presente, registando pessoas, datas, lugares, fontes, graus de certeza e lacunas.

Estado: em construção.

Arquivo familiar

Documentos, fotografias, álbuns e materiais herdados, preservados pela família — base de investigação e dispositivo de preservação da memória.

Estado: em organização.

Interligações

D. Pedro de Cantábria liga o campo ao Norte peninsular e às continuidades culturais do espaço atlântico. Inácio Perestrelo liga-o a Ponte de Lima, ao rio Lethes e à história política portuguesa do século XIX. Através de Helena Dulac, o campo toca também a Galeria das Sombras e o campo Espelho.

Conclusão

Linhagem é o campo onde uma genealogia familiar se transforma numa narrativa histórica da Península. D. Pedro abre a narrativa. Inácio aproxima-a do presente. Entre ambos encontra-se uma linhagem ainda por ler.

A história começa no passado remoto e regressa, geração após geração, até casa.

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