Aparição

Vergílio Ferreira
Bertrand Editora
[Confirmar ano e edição consultada]

Campo: Espelho · Sombras
Projectos relacionados: O Outro Lado do Espelho · Anamnese

Sobre o livro

Em Aparição, Alberto Soares, professor recém-chegado a Évora, recorda um período marcado pelo contacto com a família Moura, pela presença de Cristina e por uma sucessão de acontecimentos que o confrontam com a existência, a morte e a consciência de si.

A narrativa desenvolve-se entre memória, reflexão filosófica e experiência vivida. O acontecimento exterior torna-se frequentemente o ponto de partida para uma interrogação interior: quem somos, de que modo reconhecemos a nossa própria existência e o que permanece quando todas as certezas desaparecem?

Porque está neste jardim

Este livro entra no jardim através do espelho.

Em criança, Alberto contempla-se até deixar de reconhecer no reflexo a identidade familiar que associava ao próprio rosto. Durante um instante, vê diante de si uma presença estranha: alguém que existe, mas que já não coincide inteiramente com o nome, a história ou a imagem através dos quais aprendeu a reconhecer-se.

A aparição é esse momento de consciência súbita da própria existência. O eu deixa de parecer evidente e transforma-se simultaneamente em sujeito, objecto e mistério.

Esta experiência aproxima-se das questões presentes em O Outro Lado do Espelho: a fragmentação da identidade, as diferentes vozes que podem habitar uma mesma pessoa e a distância entre autoria, nome, corpo e imagem.

Interessa-me também a forma como o romance transforma a memória num espaço de reconstrução. Alberto escreve a partir de um acontecimento já concluído, procurando compreender retrospectivamente aquilo que viveu. A escrita funciona como tentativa de fixar uma presença que o tempo tornou inacessível.

Ligações

— O espelho e o estranhamento perante a própria imagem
— Consciência, identidade e presença
— Fragmentação do eu
— Memória e reconstrução narrativa
— A morte enquanto limite da existência
— Escrita como tentativa de preservar o que desapareceu

Fragmento

“Sei, não talvez como quem conquistou mas como quem se despoja: a minha verdade é o que me sobeja de tudo.”

Vergílio Ferreira, Aparição, p. [confirmar na edição consultada].

Referência

FERREIRA, Vergílio — Aparição. Lisboa: Bertrand Editora, [ano da edição consultada].

Consultar: página da editora ou catálogo bibliográfico.

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