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Investigação Artística e Metodologia

O que é Investigação Artística

A investigação artística — também designada practice as research ou practice-based research — é um campo de produção de conhecimento em que a prática artística constitui o método principal de investigação. Não se trata de produzir arte sobre um tema académico, nem de ilustrar uma tese prévia: o processo de criação é ele próprio o lugar onde o conhecimento emerge.

Ao contrário da investigação académica convencional, que parte de uma hipótese e procura prová-la, a investigação artística parte de uma obsessão, de uma prática ou de uma pergunta aberta, e escava até encontrar formas de a tornar comunicável e partilhável.

Prática como Investigação

Na abordagem prática como investigação, o corpo de obra — os guias, os ensaios, os ebooks, os mapas, os arquivos — não é o resultado da investigação: é a investigação. Cada artefacto produzido é simultaneamente um acto criativo e um acto epistemológico.

Esta distinção é central para compreender o projecto Anamnese: os guias de território não são produtos turísticos; os heterónimos não são ficção decorativa; a Galeria das Sombras não é uma lista de mulheres interessantes. São cada um deles instrumentos de produção de conhecimento sobre o território, a identidade autoral e o apagamento feminino.

Narrativas Transmedia

Um projecto transmedia não distribui o mesmo conteúdo por diferentes plataformas — cria conteúdos específicos para cada meio, que se complementam sem se repetirem. No caso da Anamnese, cada campo tem os seus artefactos próprios (ensaio, guia, ebook, arquivo digital, mapa, romance), cada um adequado ao medium que melhor serve o seu conteúdo.

O site funciona como portal; o Notion como arquivo de investigação; o Are.na como jardim digital associativo; o Substack como diário de processo; o Ko-fi como plataforma de publicação independente.

Marcação Epistemológica

Toda a investigação da Anamnese usa um sistema de marcação que distingue os diferentes estatutos do conhecimento produzido:

Campos de investigação estrutural (Território, Linhagem, Sombras, Arquétipos):

  • documentado — baseado em fontes primárias verificáveis
  • provável — inferido a partir de fontes indirectas
  • interpretado — leitura simbólica ou analítica fundamentada
  • transmitido oralmente — tradição oral, memória familiar
  • imaginado — especulação criativa explicitamente assinalada
  • ficcionalizado — invenção literária assumida

Campo Espelho (identidade autoral):

  • documentado · autobiográfico · interpretado · imaginado · ficcionalizado

Referências Teóricas Principais

  • Deep mapping: William Least Heat-Moon, Mike Pearson & Michael Shanks
  • Mitogeografia: Wrights & Sites, Phil Smith
  • Escrita do território: W. G. Sebald, Robert Macfarlane, Rebecca Solnit
  • Arquétipo e psique: Emma Jung
  • Hauntologia: Jacques Derrida, Mark Fisher
  • Worldbuilding: Italo Calvino (As Cidades Invisíveis)

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