Mitologia Ibérica e Paganismo Galaico na Proto-História

Perfeito, Inês. Vou reunir fontes portuguesas e galegas sobre mitologia ibérica e paganismo galaico da proto-história, incluindo deuses, deusas, rituais e celebrações, com comparações relevantes a outras tradições semelhantes (celtas, mediterrânicas, etc.).

Assim que a pesquisa estiver pronta, trago-te um resumo por temas com fontes credíveis que possas integrar no teu ebook e workshop.

Mitologia Ibérica e Paganismo Galaico na Proto-História

A região galaico-lusitana na proto-história (Noroeste da Península Ibérica, englobando a Galiza e o atual território português pré-romano) abrigava uma rica tapeçaria de cultos pagãos. Suas práticas religiosas mesclavam influências celtas continentais com elementos indígenas locais e, posteriormente, traços da religião romana. Lugares naturais – fontes, rios, bosques e montes – eram venerados como sagrados, em sintonia com uma visão animista do mundo em que cada elemento da paisagem tinha um génio ou divindade protetora. A seguir, exploram-se os principais deuses e deusas, os rituais e celebrações conhecidos, bem como comparações mitológicas com outras tradições, contextualizando o paganismo galaico no quadro mais amplo da Antiguidade.

Deuses e Deusas

Figura 1: A “Fonte do Ídolo” em Braga (antiga Bracara Augusta), um santuário rupestre dedicado a deuses indígenas – exemplo da ligação entre divindades e espaços naturais sagrados.

Os povos galaicos e lusitanos possuíam um panteão diversificado, conhecido principalmente através de inscrições votivas latino-indígenas do período romano. Diversos teónimos indígenas aparecem dedicados a divindades locais, regionais ou mesmo pan-galaicas, indicando um panteão estruturado e não meramente caótico. Estudos modernos identificam deuses principais venerados numa ampla área (alguns comuns aos galaicos e lusitanos) e uma miríade de divindades locais ou tribais de menor alcance. Entre os mais importantes estão:

  • Endovélico – Deus oracular e de cura, de possível origem lusitana, associado posteriormente ao sol ou a Asclépio. Inicialmente um nume ctónico menor, Endovélico tornou-se extremamente popular após a colonização romana, tendo santuário prestigiado na Lusitânia (região do Alentejo) com funções de profecia e cura. É frequentemente equiparado a Belenos (deus celta da cura) pelas afinidades de função e culto.
  • Ataégina – Deusa lusitana da regeneração, primavera e do submundo, equivalente à Perséfone/Prosérpina romana. Era particularmente cultuada no sul da Lusitânia. O nome sugere “renascimento” e insinua um culto ligado aos ciclos de morte e renascimento da natureza.
  • Trebaruna – Deusa guerreira ou protetora doméstica mencionada em inscrições lusitanas. Aparece associada a um deus masculino, Reue, possivelmente como consorte ou contraparte feminina. Trebaruna foi venerada no coração da Lusitânia, mas praticamente não há vestígios do seu culto fora dessa região.
  • Reue (Réu) – Divindade suprema do céu entre os lusitano-galaicos, identificada por alguns autores com Júpiter pela raiz indo-europeia dyeus- (deus do céu diurno). Inscrições indicam ser um deus importante no ocidente peninsular, por vezes associado a montes ou cumes. Curiosamente, a união simbólica de Reue com a deusa das águas (Nábia) sugere a clássica dualidade céu-terra.
  • Bandua – Divindade muito popular, encontrada em inúmeras epígrafes tanto na Galécia quanto Lusitânia. Aparece sob múltiplos epítetos locais (por exemplo, Bandua Roudaeco ou Bandua Brealiacui), indicando prováveis cultos protetores de comunidades específicas. Geralmente identificado como um deus guerreiro guardião (associado pelos romanos ao Marte local) e relacionado à proteção coletiva – possivelmente presidindo aos pactos e coesão social dentro do castro ou tribo. Curiosamente, há indícios de um culto duoforme: epítetos e representações sugerem que Bandua podia ser concebido ora como masculino, ora como feminino, talvez um par divino cuja união simbolizava o elo comunitário.
  • Cosso/Coso – Deus guerreiro venerado sobretudo pelos galaicos do sul. Era um dos deuses mais reverenciados na Galécia, associado a vitórias militares. Vários autores sugerem que Cosso e Bandua seriam faces de uma mesma divindade com nomes distintos conforme a região. Ambos teriam função de protetores coletivos e marcial, sendo Cosso mais presente no noroeste galego e Bandua no sul e leste galaico. A comparação com Marte é inevitável, embora Cosso possivelmente acumulasse aspectos de deus da assembleia tribal (há evidências de festivais comunitários em sua honra).
  • Nábia (ou Navia) – Importante deusa fluvial e fonte de fertilidade. Nábia está associada às águas correntes, nascentes e vales – possivelmente a personificação divina dos rios e fontes sagradas. Em algumas inscrições surge pareada com Júpiter (o que sugere uma figura de esposa do deus supremo celeste); noutras, os romanos associaram-na a Diana, Juno ou Victoria, conforme os atributos de proteção, riqueza e saúde observados. O nome Nábia permanece em toponímia atual, como no rio Navia (Galiza) ou na ribeira da Nava. Um mito tardio sobre o rio Lima (chamado Lethes pelos romanos) dá conta que as águas encantadas – sob proteção de Nábia – causariam esquecimento em quem nelas mergulhasse, lenda que ilustra o poder atribuído às divindades das águas.
  • Lugus (Lucubo) – Deus celta da luz, habilidades e comércio. Embora não haja menções diretas a “Lugus” em inscrições galaicas, sua presença é inferida pela toponímia (por exemplo, Lucus Augusti, atual Lugo, nome romano que evoca o “bosque sagrado de Lugus”) e pelas semelhanças com o culto pan-céltico de Lug. Lugus seria associado à lança, à arte e à prosperidade, tal como o Lug gaulês e irlandês. A existência de numerosos topónimos europeus derivados desta raiz – da Galécia (Lugo) até Loudoun na Escócia – indica sua difusão atlântica. Entre os galaicos, Lugus teria ocupado posição de destaque no imaginário mitológico castrejo, talvez patrono de artesãos, comerciantes e intercâmbios tribais.
  • Berobreo – Divindade dos mundos subterrâneos e do além. Santuários dedicados a Berobreo foram identificados em castros costeiros galegos, notadamente no Monte do Facho de Donón (Cangas), diante das ilhas Cíes. Sua função assemelha-se à de um psicopompo ou guardião da “outra vida”, relacionado ao oceano desconhecido para além do horizonte.
  • Bormânico – Deus das fontes termais, equivalente local do gaulês Bormanus. O culto a Bormânico atesta a sacralização de águas quentes com propriedades curativas, prática comum em várias culturas celtas e ibéricas.
  • Outras divindades locais: Há dezenas de teónimos registrados em áreas restritas, indicando espíritos tutelares de clãs ou locais específicos. Exemplos incluem Aerno (talvez relacionado a colinas, encontrado na área de Bragança), Quangeio, Trebopala, Laneana, Crouga (deusa venerada perto de Viseu), Duberdicus (possível deus das águas na região do Douro) etc. A abundância de deuses regionais no Noroeste peninsular é notável – o corpus galaico-lusitano apresenta o maior número de divindades indígenas identificadas em toda a Península Ibérica, sinal de uma religião ricamente diversificada, embora com temas e funções recorrentes.
  • Divindades introduzidas ou compartilhadas: O contato com celtas continentais, iberos mediterrânicos e romanos trouxe cultos adicionais. Por exemplo, a deusa Epona (de origem gaulesa, protetora de cavalos e da fertilidade) tornou-se popular no Ocidente ibérico, a ponto de ser venerada até em Roma. Também ninfas (de fontes e bosques) e génios lares foram absorvidos no culto local durante a romanização. Nesse contexto de sincretismo, às vezes as inscriçōes dedicam-se simultaneamente a um deus indígena e ao seu equivalente romano – como Nabia Victoria ou Bandua Mars –, fundindo atributos de ambos os panteões.

Rituais e Celebrações

As práticas rituais dos galaicos e lusitanos eram intimamente ligadas ao território e ciclo da natureza. Muitos cultos ocorriam em ar livre – em frontes de água, penhascos com gravuras ou bosques fechados (lucus) –, e os altares de pedra (aras) frequentemente erigidos nesses locais atestam oferendas ali depositadas. A arqueologia revela santuários rupestres como a Fonte do Ídolo (Braga) ou o santuário de Panóias (Vila Real), onde inscrições e escadarias escavadas na rocha indicam ritos de sacrifício e libação realizados junto a elementos naturais. Nessas celebrações, era comum consagrar às divindades tanto o produto das colheitas (primeiros frutos, vinho, cerveja artesanal) quanto animais e, em certos contextos, prisioneiros de guerra.

Fontes clássicas dão conta de rituais sangrentos ligados à guerra. O geógrafo grego Estrabão relatou que os lusitanos sacrificavam prisioneiros capturados, cobrindo-os com um manto grosseiro e abatendo-os ritualmente; em seguida, examinavam as entranhas e o fluxo do sangue das vítimas para augurar o desfecho de batalhas futuras. Segundo a mesma fonte, a mão direita do inimigo era decepada e oferecida no altar do deus Cosus (ou de outra divindade guerreira) como troféu sagrado. Esses costumes bárbaros, longe de serem exclusivos da Ibéria, alinham-se a práticas célticas amplamente atestadas noutras partes da Europa Antiga (como os druidas gauleses fazendo sacrifícios humanos a Teutates e outros deuses da guerra). Além dos sacrifícios humanos em contexto bélico, animais também eram imolados: há indícios de sacrifício de cavalos em honra de divindades solares ou marciais, e cabras ou touros para pedir fertilidade e proteção da comunidade, acompanhados de banquetes tribais com a carne oferecida.

Outro aspecto central era a divinação. Os sacerdotes ou anciãos videntes observavam sinais na natureza para interpretar a vontade divina. A adivinhação podia ocorrer pela inspeção das vísceras das vítimas (hepatoscopia), pela observação do voo das aves ou pelo comportamento de animais sagrados. Estrabão menciona que os lusitanos também realizavam profecias lendo as veias ainda palpitantes nas entranhas arrancadas, e utilizando cavalos brancos soltos: interpretavam os augúrios conforme os movimentos e relinchos desses cavalos sagrados. Tais ritos lembram a importância do cavalo entre os celtas como animal totêmico e mensageiro dos deuses.

Ao lado dos sacrifícios e oráculos, havia celebrações comunitárias periódicas, possivelmente ligadas ao calendário agrícola e astronômico. Embora não existam registros diretos dos nomes de festivais galaicos, a arqueologia social sugere eventos semelhantes aos festivais célticos sazonais (solstícios, equinócios e “festas do fogo” nos inícios de semestre). Por exemplo, sabe-se que os galaicos realizavam assembleias festivas ao ar livre, nas quais toda a tribo se reunia para deliberar assuntos, acompanhado de banquetes, bebida e jogos atléticos. Estrabão descreve fielmente uma dessas reuniões, comparando-as a assembleias “à moda irlandesa”, com competições e rituais de coesão grupal. Tais encontros poderiam ocorrer anualmente – talvez no fim do verão, lembrando o Lugnasad celta, ou no início do inverno, evocando o Samhain. De fato, na Galiza e norte de Portugal modernos persistem festas outonais de origem obscura, como o Magusto (festival das castanhas e fogueiras em novembro), que muitos apontam como um eco do antigo Samhain celta, celebrando os antepassados e a transição das estações.

Cerimónias no solstício de verão também sobreviveram cristianizadas: as famosas fogueiras de São João (noite de 23/24 de junho), com saltos purificadores sobre o fogo e banhos madrugadores em rios e mar, trazem claramente a herança de um rito pagão de solstício ligado à fertilidade e à proteção das colheitas. Na Idade do Ferro, é provável que os antepassados galaicos já acendessem fogos cerimoniais no pico do verão para afastar os maus espíritos e promover a fecundidade da terra – costume esse absorvido pelo calendário cristão. O mesmo ocorreu com ritos do solstício de inverno, transformados em tradições natalinas (como queimar o cepo ou tronco de Natal, tradição ainda viva em partes de Portugal, reminiscência dos fogos do Yule pagão).

Ademais, a tradição oral galega e portuguesa preservou mitos e lendas que apontam para antigos cultos. As histórias das mouras encantadas – donzelas mágicas guardiãs de fontes, castros e tesouros – podem ser um vestígio folclórico das antigas deusas da terra e da água, transformadas em personagens encantadas após a cristianização (associadas ao imaginário mourisco). Igualmente, a crença galega na Santa Compaña (uma procissão espectral de almas penadas pelas estradas à noite) possivelmente remete a cultos ancestrais dos mortos ou cerimónias druídicas outonais; hoje aparece envolta em aura cristã, mas carrega ecos do medo pagão perante os espíritos errantes. Esses exemplos ilustram como celebrações pagãs e figuras míticas pré-cristãs foram reinterpretadas e incorporadas no folclore popular, continuando a ligar simbolicamente o povo ao seu território e aos antepassados.

Comparações Mitológicas

A mitologia galaico-lusitana insere-se no contexto indo-europeu, com fortes paralelos às tradições célticas da Gália e Ilhas Britânicas, mas também com particularidades locais e influências mediterrânicas. Muitos deuses ocidentais têm equivalentes ou pelo menos reflexos em outras regiões celtas: por exemplo, o deus supremo celeste (Reue/Júpiter) é cognato do gaulês Taranis (deus do céu e do trovão) ou mesmo de Zeus; o deus de cura Endovélico guarda semelhanças funcionais com Nodens (deus curador britânico) e com Apolo (sobretudo na faceta profética). A deusa Nábia, ligada às águas e fertilidade, lembra as numerosas ninfas e deusas-fluviais célticas, como Sequana (do Sena) ou Coventina – esta última, inclusive, é registrada tanto na Britânia quanto na Gallaecia, associada a nascentes de abundância. O culto de Epona, a deusa eqüestre, foi compartilhado por praticamente todo o mundo celta (e até romano), indicando um patrimônio mitológico comum. Do mesmo modo, Lugus na Galécia integra o ciclo pan-céltico de Lug, presente na mitologia irlandesa (Lugh Lámfada), galesa (Lleu) e gaulesa (Lugus) como o deus múltiplo das artes e do sol.

Ao comparar com a mitologia celta continental, percebe-se que os galaicos davam ênfase especial a certos cultos: a abundância de divindades guerreiras e tribais (Bandua, Cosso, etc.) talvez reflita a organização em pequenas comunidades fortificadas (castros) que valorizavam protetores locais e rituais de guerra (inclusive a prática da devotio, onde guerreiros ofereciam sua vida a um deus em troca da vitória, ritual atestado na região). Essa devoção guerreira encontra paralelo na Ibéria celtibera e na Gália, onde se registram cerimónias de consagração do inimigo vencido aos deuses da guerra, e possivelmente um culto às cabeças cortadas dos inimigos (embora para a Galécia isso não esteja claramente documentado). Por outro lado, o culto das águas e pedras entre galaicos e lusitanos parece ainda mais pronunciado, possivelmente influenciado pelas antiquíssimas tradições megalíticas do ocidente ibérico. A presença de monumentos como dólmenes e menires em Portugal e Galiza (herança do Neolítico/Calcolítico) pode ter contribuído para um substrato religioso pré-celta que os povos indo-europeus adotaram: os romanos notaram, por exemplo, que certos rochedos e fontes em Lusitânia eram venerados sem representação antropomórfica, numa forma de religião naturalista distinta daquela itálica.

Comparando com as tradições mediterrânicas, nota-se a posterior influência romana no sincretismo religioso galaico. Os romanos, ao incorporarem a região ao império, praticaram a interpretatio romana: identificaram deuses locais com seus equivalentes romanos, facilitando a assimilação. Assim, Bandua e Cosso passaram a ser vistos como manifestações de Marte, Reue como Júpiter, Nábia como Diana/Victória, Ataégina como Prosérpina, etc.. Essa comparação não apenas serviu como ferramenta política de romanização, mas também revela convergências funcionais reais entre as divindades. Além disso, cultos orientais trazidos por via mediterrânica poderiam ter tocado a região – há quem proponha, por exemplo, influências fenícias no culto de Endovélico (por semelhanças com Eshmun ou divindades curadoras orientais), ou paralelos entre a deusa sírio-fenícia Astarte e algumas deusas lusitanas da fertilidade. Contudo, tais analogias permanecem especulativas e difíceis de provar.

No campo mitológico, um relato intrigante que relaciona a Ibéria atlântica com tradições externas é o mito grego de Ophiussa, “a Terra das Serpentes”. Fontes clássicas tardias mencionam que um povo de navegadores (possivelmente fenícios) referiu-se a parte da Lusitânia como Ophiussa devido aos nativos supostamente venerarem serpentes, ou talvez por abundarem serpentes na região. Segundo o poeta Avieno (Ora Maritima), os antigos Oestrymni foram expulsos dessa terra por invasores chamados Ophioússa (homens-serpente). Alguns historiadores modernos aventam que esse mito reflita cultos totêmicos locais onde a serpente (ou dragão) era símbolo importante – quiçá relacionado a uma deusa-mãe serpentina guardiã da terra. Embora faltem evidências diretas que confirmem um culto generalizado a serpentes entre galaicos/lusitanos, vestígios iconográficos (como petroglifos de serpentes em rochas galegas) e a persistência do motivo do dragão na heráldica e lendas regionais sugerem que tal simbolismo tinha, sim, ressonância cultural. De qualquer modo, Ophiussa permanece como ponte lendária entre a mitologia ibérica e o imaginário mediterrânico, ilustrando como os povos antigos do sul da Europa viam a costa atlântica como uma terra exótica de mistérios e cultos peculiares.

Em síntese, a mitologia e paganismo galaico-lusitano dialogam com o amplo universo indo-europeu (partilhando deuses, ritos e estruturas mitológicas com celtas e outros) ao mesmo tempo em que apresentam cores locais únicas. A continuidade cultural é evidente: a transição para o cristianismo reaproveitou muitos símbolos e festas pagãs – a título de exemplo, uma antiga deusa solar galaica foi possivelmente assimilada sob a figura da Virgem Maria (caso da deusa Kontebria entre os galaicos-cântabros). Assim, estudar essa mitologia proto-histórica ibérica fornece não apenas um vislumbre de um passado pagão quase esquecido, mas também ajuda a compreender certas tradições galegas e portuguesas que perduram, secularizadas ou metamorfoseadas, até os dias de hoje.

Referências Académicas

  • José Leite de Vasconcelos (1905-1913)Religiões da Lusitânia: Obra pioneira de arqueologia e filologia que catalogou inscrições e deuses lusitanos, lançando as bases do estudo da mitologia pré-romana em Portugal.
  • Blanca G. Fernández-Albalat (1989)Los dioses de la guerra y su relación con las comunidades en el área galaico-lusitana: Tese universitária que examina os deuses guerreiros regionais e seu papel social, identificando divindades como Cosso e Bandua enquanto protetores das comunidades castrejas.
  • Juan Carlos Olivares Pedreño (2005)The Gods of Celtic Hispania: Estudo abrangente (publicado em E-Keltoi 6) sobre o panteão céltico na Hispânia, baseado na análise rigorosa de aras votivas e inscrições. Olivares propõe uma estrutura funcional ao panteão galaico-lusitano em comparação com outros povos celtas.
  • Rosa Brañas Abad (2007) – Artigo “Entre mitos, ritos y santuarios. Los dioses” in Los pueblos de la Galicia céltica: Analisa mitologia e cultos galaicos, propondo interpretações sobre a função sociopolítica das divindades (ex: Bandua como elemento de coesão social).
  • Alberto González-Ruibal (2006)Galaicos, poder y comunidad en el Noroeste de la Península Ibérica (1200 a.C. – 50 d.C.): Publicado na Revista Brigantium nº18, este estudo arqueológico foca a cultura castreja galega, incluindo suas estruturas de poder e ritual comunitário. Contribui para entender o contexto em que os cultos galaicos se desenvolviam.
  • Blanca M. Prósper (2002)Línguas e religiões do Ocidente da Península Ibérica: Obra que cruza linguística e religião, decifrando teónimos galaico-lusitanos e suas possíveis etimologias indo-europeias. Propõe, por exemplo, relações de Bandua com lares viais e discute influências célticas vs. mediterrânicas nos cultos locais.
  • José d’Encarnação (2015)Divindades Indígenas sob o domínio romano: Pesquisa epigráfica portuguesa que compilou inscrições dedicadas a deuses indígenas durante o período romano, evidenciando a persistência e adaptação dos cultos locais face à romanização.
  • Vicente Risco (1958)Etnografia: mitologia popular galega: Coletânea clássica de lendas e crenças populares da Galiza, onde o autor identifica possíveis sobrevivências de mitos pré-cristãos (como as mouras encantadas e outros seres míticos do folclore galaico).
  • Humberto Patrón Sánchez (2018)The Gods of Galaecia and their Celtic Influences: Trabalho acadêmico recente (Universidad Complutense de Madrid) que revisita o panteão galaico e as influências célticas detectáveis no Noroeste, atualizando a discussão com descobertas epigráficas e reinterpretando Estrabão à luz da arqueologia contemporânea.

Cada uma destas obras e pesquisas aprofunda um aspecto do paganismo galaico-lusitano, desde a catalogação de inscrições rupestres e análise linguística de nomes de deuses até a interpretação antropológica dos ritos e mitos na sociedade proto-histórica. Juntas, constituem um rico referencial académico para compreender a religião dos antigos galaicos e lusitanos, bem como sua ligação simbólica com o território que habitavam. As referências citadas ao longo do texto fornecem respaldo documental a esta síntese, ilustrando como dados de diferentes disciplinas se conjugam para revelar a teia mitológica do nosso passado ibérico.

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