Pensamento não linear

Pensamento não linear

1. Designação

Pensamento não linear.

2. Classificação

Conceito metodológico / estrutura cognitiva.
Relação com artistic research: muito alta, mas não é uma metodologia fechada.

3. Definição curta

Modo de pensar que organiza ideias por associação, desvio, simultaneidade, ramificação e montagem, em vez de seguir uma sequência fixa, cronológica ou causal.onlinelibrary.wiley+1

4. Definição longa

Pensamento não linear é uma forma de organizar conhecimento que recusa a progressão única e hierárquica. Em vez de avançar em linha recta, trabalha por constelações, retornos, saltos, bifurcações e relações laterais, permitindo que ideias, imagens e problemas se conectem de modos múltiplos. Esta forma de pensar é particularmente útil em práticas artísticas, investigação criativa e escrita experimental, porque acompanha melhor processos abertos, instáveis e complexos.linkedin+3

5. Origem e enquadramento

O conceito de não-linearidade não pertence a um único autor, mas aparece em várias tradições: pensamento criativo, teoria do caos, estudos sobre criatividade, pedagogias alternativas e filosofia contemporânea. Em artistic research, a ideia ganha força quando se combina com práticas como visual thinking, escrita fragmentária, montagem, cartografia conceptual e aprendizagem rizomática. A sua afinidade com o pensamento rizomático de Deleuze e Guattari é clara: ambos recusam a estrutura arbórea e linear do conhecimento.sciencedirect+4

6. Autores e referências

Algumas referências úteis para o teu diretório:

  • Gilles Deleuze e Félix Guattari: pensamento rizomático e crítica da estrutura hierárquica do conhecimento.wikipedia
  • Mikhail Bakhtin, indirectamente, para pensar multiplicidade e abertura discursiva em sistemas não lineares.newprairiepress+1
  • Trabalhos sobre visual thinking e escrita não linear em investigação prática.adk.elsevierpure+1
  • Estudos sobre aprendizagem e criação rhizomatic e non-linear.strategicthinkingcoach+1
  • Discussões sobre escrita e processo em artistic research.jrp.icaap+1

7. Em que consiste

Consiste em:

  • ligar ideias por associação e não por sequência fixa.
  • aceitar retornos e repetições como parte do processo.
  • trabalhar com múltiplas entradas e saídas num mesmo tema.
  • combinar texto, imagem, mapa, som e arquivo sem obrigar a uma ordem única.
  • pensar por montagem, não apenas por demonstração.dpublication+1

8. Objetivos

Os objetivos mais relevantes são:

  • acompanhar processos criativos e investigativos complexos.jar-online+1
  • abrir espaço para relações inesperadas entre conceitos.wikipedia+1
  • resistir à simplificação excessiva.sciencedirect+1
  • estimular descoberta, pensamento lateral e invenção.sumanaburmanfineart+1
  • criar formas de conhecimento mais próximas da experiência real de trabalho em artes e investigação.journals.sagepub+1

9. Campos de aplicação

  • Artistic research.
  • Escrita ensaística e experimental.
  • Curadoria.
  • Edição.
  • Educação artística.
  • Design de informação.
  • Cartografia conceptual.
  • Visual thinking.
  • Aprendizagem baseada em processo.digitalcommons.unomaha+2

10. Aplicações concretas

Algumas aplicações concretas:

  • Escrita de processo: notas, cadernos e reflexões que avançam por associação em vez de capítulo fechado.jrp.icaap+1
  • Portfólios anotados: uso de imagens e comentários interligados como forma de pensamento, como em investigação baseada em visual thinking.pearl.plymouth+1
  • Mapas rizomáticos: organização de conceitos em rede, sem centro único.dpublication+1
  • Curadoria e exposição: montagem de obras e textos em sequências abertas, permitindo várias leituras.
  • Cartografias editoriais: diretórios ou atlas em que entradas se ligam por afinidade, não apenas por ordem alfabética.

11. Relação com artistic research

Pensamento não linear é altamente compatível com artistic research porque muitas práticas artísticas produzem conhecimento por experimentação, iteração, erro, desvio e reconfiguração. Ele ajuda a compreender que investigar artisticamente não é necessariamente provar uma hipótese numa sequência rígida, mas construir relações, testar formas e fazer emergir sentido por montagem. Por isso, pode ser entendido como uma condição de funcionamento de várias metodologias artísticas, mais do que como uma metodologia isolada.adk.elsevierpure+3

12. Exemplos de uso

Exemplos concretos:

  • um caderno de investigação em que ideias surgem como rede de notas;
  • uma obra que alterna imagem, texto, som e memória sem hierarquia;
  • uma apresentação oral com saltos entre conceitos em vez de ordem cronológica;
  • um atlas conceptual do site com entradas ligadas por relação semântica;
  • um processo de escrita em que o fim não é definido antes do meio.adk.elsevierpure+1

13. Forças da estratégia

  • Acompanha bem complexidade e incerteza.
  • Favorece criatividade e ligação transversal entre áreas.
  • Evita a rigidez excessiva.
  • É muito útil em práticas interdisciplinares.
  • Dá forma ao pensamento em processo, algo central em artistic research.jrp.icaap+1

14. Limites e cuidados

  • Pode tornar-se disperso se não houver alguma arquitectura interna.
  • Pode ser confundido com falta de método.
  • Nem todo o pensamento em rede é automaticamente rigoroso.
  • Exige curadoria conceptual para que a abertura não vire ruído.onlinelibrary.wiley+1

15. Perguntas orientadoras

  • O que ganha este projecto ao abandonar a linearidade?
  • Que associações são produtivas e quais são apenas dispersão?
  • Que forma de montagem melhor serve o pensamento?
  • Há um centro necessário ou o sentido pode emergir em rede?
  • O processo está a gerar conhecimento ou apenas variação formal?jar-online+1

16. Formulação editorial para o diretório

Pensamento não linear é um modo de organizar ideias por associação, desvio, simultaneidade e ramificação, em vez de seguir uma sequência fixa. Em artistic research, é especialmente útil para processos abertos, complexos e interdisciplinares, onde o conhecimento surge por montagem e relação.wikipedia+1

17. Classificação final

Tipo: conceito metodológico / estrutura cognitiva.
Relação com artistic research: muito forte; frequentemente estruturante, mas não é uma metodologia autónoma.

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