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Poesias

by Inês Soares

António Augusto Soares de Passos
[Confirmar editora, ano e edição do exemplar consultado]

Campo: Sombras · Espelho
Projectos relacionados: Anamnese · O Outro Lado do Espelho · A Morte do Unicórnio

Sobre o livro

Publicado originalmente em 1856, Poesias reúne a obra poética de António Augusto Soares de Passos, uma das figuras mais reconhecidas do ultrarromantismo português.

A colectânea atravessa o amor, a perda, a morte, a natureza, a pátria, a liberdade, a injustiça e o destino do poeta. Embora seja frequentemente recordada pelo imaginário nocturno e sepulcral de “O Noivado do Sepulcro”, a obra possui uma amplitude maior, alternando entre intimidade, dramatização histórica, inquietação social e reflexão sobre a memória.

Porque está neste jardim

Este livro entra no jardim pela sua relação com a morte, o espectral e aquilo que persiste depois do desaparecimento.

Em “O Noivado do Sepulcro”, os mortos regressam para concluir uma história de amor interrompida. O cemitério transforma-se num espaço liminar onde memória, desejo e presença continuam a agir para além da vida. A sepultura encerra o corpo, mas não apaga inteiramente os vínculos, as promessas ou as narrativas.

Interessa-me esta convivência entre beleza, morbidez e memória. A morte não aparece apenas como fim: torna-se cenário, linguagem e possibilidade de reencontro com aquilo que deixou de estar visível.

A obra relaciona-se com o campo das Sombras, habitado por figuras ausentes, vozes esquecidas e presenças que regressam através dos textos. Aproxima-se também de O Outro Lado do Espelho, onde diferentes identidades, autorias e figuras literárias permanecem activas dentro de uma realidade paralela.

O meu exemplar acrescenta outra camada à leitura. As manchas, o papel envelhecido e as marcas de proveniência transformam o livro num objecto atravessado pelo tempo. Para além dos poemas, conserva vestígios das pessoas e bibliotecas por onde passou.

Ligações

— O espectral e o regresso dos mortos
— Amor, perda e memória
— Cemitérios como espaços liminares
— Poesia sepulcral e imaginário ultrarromântico
— Beleza, morbidez e melancolia
— Vozes que persistem depois do desaparecimento
— O livro antigo enquanto objecto de memória
— Escrita, autoria e sobrevivência simbólica

Fragmento

“Vae alta a lua! na mansão da morte
Já meia noite com vagar soou.”

Soares de Passos, “O Noivado do Sepulchro”, em Poesias, p. [confirmar na edição consultada].

Referência

PASSOS, António Augusto Soares de — Poesias. [Edição, local, editora e ano a confirmar através da folha de rosto do exemplar].

Consultar: Biblioteca Nacional Digital.

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