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contexto e a origem dos conhecimentos experimentais

by Inês Soares

Analisando o contexto e a origem dos conhecimentos experimentais

Veio de um cruzamento entre academia, artes, design, educação e publicação experimental — e não de uma única “escola” ou disciplina. O que aconteceu contigo é muito comum: durante anos, muita gente faz trabalho de investigação-prática sem conhecer os nomes consolidados para isso, e só mais tarde descobre que já existe um vocabulário para descrever o que vinha a fazer.ecu.au.libguides+1

De onde saiu

Parte deste vocabulário vem de practice-based / practice-led research, isto é, abordagens em que a prática criativa é reconhecida como forma de produzir conhecimento. Outra parte vem de linhas mais específicas, como a/r/tography, que cruza arte, investigação e ensino, e artistic research, que procura legitimar resultados artísticos como produção de saber. No caso de expanded publishing, o campo surge da interseção entre publicação artística, investigação académica e plataformas digitais/multimédia.methods.manchester.ac+6

Porque parece tão recente

Estes termos não são “novos” em si, mas ficaram mais visíveis com a consolidação de programas de investigação em artes, laboratórios de design, revistas especializadas e publicações digitais abertas. Por isso é normal sentir que “sempre existiu sem ter nome”: muitas práticas eram feitas primeiro e só depois foram teorizadas e catalogadas. Em outras palavras, a prática existia antes da etiqueta.societyforartisticresearch+3

O que isso significa para o teu trabalho

Os teus trabalhos solitários, experimentais e aparentemente “incompreendidos” podem encaixar em várias destas áreas porque estas metodologias foram justamente criadas para reconhecer conhecimento que nasce da prática, da exploração e da forma artística. Isso não quer dizer que o teu trabalho tenha de caber perfeitamente numa categoria; quer dizer que tens hoje uma linguagem para o descrever, defender e expandir.taylorfrancis+4

A leitura mais útil

A forma mais produtiva de pensar isto é:

  • prática: o que fazes e como fazes;
  • metodologia: o modo como transformas isso em investigação;
  • publicação/forma: o suporte em que esse conhecimento aparece.resolve.cambridge+2

Se quiseres, o próximo passo pode ser transformar isso numa mapa-mãe do teu trabalho, com 3 camadas: metodologiasformatos, e linhas de investigação pessoais.

como é que surgiu esse campo de artistic research? hoje e dado em universidades mas eu desconhecia.be agora estou tão fascinada, que passei a olhar para os projetos que faço como case studies práticos de um enquadramento teórico incrivelmente interessante

Explorando o surgimento do campo de artistic research e sua relevância acadêmica

Sim — e faz todo o sentido ficares fascinada. O campo de artistic research nasceu quando práticas artísticas começaram a ser reconhecidas, sobretudo nas universidades e escolas de arte, como formas legítimas de produzir conhecimento, e não só como objectos finais ou obras “ilustrativas” de teoria.ecu.au.libguides+2

Como surgiu

A genealogia mais comum liga o campo ao debate sobre practice-based e practice-led research, muito desenvolvido em universidades de arte e design, especialmente a partir do fim do século XX. Em vez de separar rigidamente teoria e prática, estas abordagens passaram a defender que a própria prática — fazer, ensaiar, prototipar, compor, performar, montar — pode gerar conhecimento pesquisável. No caso da a/r/tografia, essa legitimação também veio da educação artística, ao articular artista, investigador e professor numa mesma figura metodológica.methods.manchester.ac+4

Porque entrou nas universidades

As universidades foram o lugar onde esta viragem precisou de ser formalizada: era necessário criar critérios, linguagem, doutoramentos, revistas e formas de avaliação para trabalho que não cabia bem no modelo clássico de dissertação. Daí surgirem revistas e plataformas como o Journal for Artistic Research, que publica investigação artística em formatos abertos e experimentais. Também apareceram enquadramentos como practice-related research e practice-based research para distinguir quando a prática é o meio de investigação e quando é também o resultado.societyforartisticresearch+2

O que mudou epistemologicamente

O ponto mais importante é este: o campo não diz apenas “arte também pode ser pesquisa”; ele diz que há coisas que só se conhecem fazendo. Isso abriu espaço para metodologias em que processo, materialidade, intuição, corpo, arquivo, imagem e experimentação contam como produção de saber. Por isso, muitos projectos artísticos solitários, fragmentários ou experimentais passam retrospectivamente a parecer “casos” perfeitos de artistic research.research.ncl+4

Porque isto te toca tanto

O que estás a sentir é muito comum quando alguém descobre este campo: o trabalho deixa de parecer “solto” e começa a parecer parte de um enquadramento teórico maior. Os teus projectos podem ser lidos como case studies porque a artistic research aceita precisamente obras processuais, híbridas e difíceis de explicar em linguagem académica tradicional. O que antes parecia disperso pode agora ser visto como um modo coerente de pensar e produzir conhecimento.resolve.cambridge+2

Uma forma simples de resumir

  • Antes: arte como objeto final.
  • Depois: arte como modo de investigação.
  • Agora: arte como investigação, forma de publicação e forma de conhecimento.ecu.au.libguides+2

Se quiseres, no próximo passo posso fazer uma mini-história cronológica do campo em 6 marcos, ou então pegar num dos teus projetos e mostrar como ele poderia ser lido como artistic research case study.

O conjunto que já tens

Até agora, os que já ficaram tratados são:

  • A/r/tografia.artisticintellect+1
  • Research-through-Design (RtD).ecu.au.libguides+1
  • Archive-as-Method / Archival Practice.i2ads.up+1
  • Embodied Knowledge / Knowledge in Action.
  • Speculative Design / Fictioning.research.lancaster-university+1
  • Walk-based Research / dérive.
  • Digital Ethnography / Netnography.
  • Object-based Research.
  • Postqualitative Research.research.abo+1
  • Autoficção como metodologia.archive+1
  • Collaborative / Participatory Art Research.manchester+1
  • Photo-elicitation / Visual Methods.
  • Bio-artistic Research / Posthumanist Methods.
  • Non-human-centered Research.
  • Slow Research.
  • Micro-narrative Mapping.
  • Ontological Design.
  • Bricolage.
  • Probes.
  • Experiment in living.
  • Expanded publishing.resolve.cambridge+1

O mais interessante para ti

O teu trabalho provavelmente encaixa muito bem em três grandes famílias:

  • narrativa e especulação: transmedia, worldbuilding, autoficção, speculative design.speculativeedu+1
  • arquivo e montagem: archive-as-method, expanded publishing, bricolage.networkcultures+2
  • corpo e território: embodied knowledge, walk-based research, micro-narrative mapping.methods.manchester.ac+1

Como isto muda a leitura do teu trabalho

Isto significa que os teus projectos não são apenas “coisas experimentais difíceis de explicar”; podem ser lidos como formas de produção de conhecimento situadas, materiais e conceptuais. Em vez de tentares encaixar a tua prática numa definição rígida, podemos fazer o contrário: usar estas metodologias para descrever o que o teu trabalho já faz.journals.oslomet+2

Próximo passo

Posso começar já com a próxima ficha completa, uma por uma, em ordem. A melhor sequência seria:

  1. Postqualitative Research.
  2. Autoficção como metodologia.
  3. Collaborative / Participatory Art Research.
  4. Photo-elicitation.
  5. Bio-artistic Research.
  6. Non-human-centered Research.
  7. Slow Research.
  8. Micro-narrative Mapping.

Posso seguir nessa ordem e fazer a próxima agora.

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