Gilberto de Lascariz
Zéfiro, colecção Triskel
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Campo: Território · Arquétipos
Projectos relacionados: Land of Serpents · Serpentário · Ophiussa · Mitogeografia
Sobre o livro
Deuses e Rituais Iniciáticos da Antiga Lusitânia propõe uma leitura esotérica das divindades, santuários e práticas religiosas associadas à antiga Lusitânia.
A obra percorre figuras como Arvs, Serápis, Endovélico e Ataecina, relacionando-as com tumbas escavadas na pedra, santuários rupestres, cultos funerários, ciclos agrários, serpentes, ritos de passagem e experiências de transformação.
O autor combina referências históricas e arqueológicas com mitologia comparada, simbolismo, tradição iniciática e experiências pessoais vividas nos próprios lugares.
Porque está neste jardim
Este livro foi uma das referências que me permitiram olhar para a paisagem portuguesa como espaço simbólico e não apenas como cenário histórico.
Interessa-me particularmente a relação que estabelece entre divindade e lugar. Montanhas, fragas, necrópoles, grutas e santuários surgem como espaços onde a forma da paisagem participa na experiência religiosa e na construção do mito.
Esta perspectiva aproxima-se da mitogeografia e do deep mapping: a possibilidade de ler um território através das sucessivas camadas de memória, culto, narrativa, símbolo e experiência que nele se acumulam.
O culto da serpente ocupa também um lugar importante na obra, através da sua associação à morte, ao renascimento, ao submundo, à fertilidade e à passagem entre estados. Estas relações cruzam-se directamente com a investigação desenvolvida no Land of Serpents.
Leio, contudo, este livro como uma interpretação esotérica e autoral. O próprio autor distingue o seu olhar interior do trabalho documental produzido pela História e pela Arqueologia. Essa distinção é importante: as propostas apresentadas não devem ser tratadas indistintamente como factos históricos comprovados.
A obra torna-se, assim, particularmente relevante para o sistema epistemológico de Anamnese. Permite observar como dados arqueológicos, referências antigas, mitologia comparada, experiência situada e imaginação simbólica podem coexistir, desde que cada camada seja identificada com clareza.
Ligações
— Divindades da antiga Lusitânia
— Endovélico, Ataecina, Arvs e Serápis
— A serpente como símbolo de morte e regeneração
— Santuários rupestres e paisagem sagrada
— Mitogeografia e experiência situada
— Culto, memória e interpretação do território
— Diferença entre documentado, interpretado e experienciado
— O território como lugar de passagem entre mundos
Fragmento
“O seu poder era sentido de forma directa e palpável na paisagem.”
Gilberto de Lascariz, Deuses e Rituais Iniciáticos da Antiga Lusitânia, p. 103.
Referência
LASCARIZ, Gilberto de — Deuses e Rituais Iniciáticos da Antiga Lusitânia. Sintra: Zéfiro, colecção Triskel, [ano da edição consultada].
ISBN: 978-972-8958-75-6
Consultar: página oficial da editora Zéfiro.