Estética pós-internet

1. Designação

Estética pós-internet.

2. Classificação

Conceito crítico / estético / cultural.
Relação com artistic research: alta, sobretudo em práticas visuais, editoriais, curatoriais e transmedia.

3. Definição curta

Campo estético que pensa a arte e a cultura sob o impacto da internet omnipresente, não como arte “depois” da internet, mas como arte e sensibilidade moldadas por ela.artsy+1

4. Definição longa

A estética pós-internet designa uma sensibilidade artística e cultural surgida quando a internet deixa de ser um meio separado e passa a constituir o ambiente normal da experiência. O termo não significa simplesmente “arte depois da internet”, mas arte “sobre a internet” e sobre as suas consequências na imagem, na circulação, na autoria, no consumo e na percepção. Em vez de opor online e offline, esta estética trabalha a interpenetração entre ambos, mostrando como redes, plataformas, branding, compressão visual, cópia, circulação e excesso informacional moldam a forma artística.artsy+3

5. Origem e enquadramento

O termo ganhou força em contexto crítico por volta do final dos anos 2000 e início da década de 2010, associado a debates sobre arte contemporânea, cultura digital e circulação de imagens. A literatura sobre o tema costuma distinguir entre net art, centrada no próprio medium internet, e post-internet art, que assume a internet como condição cultural e estética generalizada, podendo circular tanto online como offline. O conceito também dialoga com a estética dos media e com a noção de pós-medialidade, onde os meios já não aparecem isolados, mas misturados e atravessados por lógicas computacionais e de rede.artsy+4

6. Em que consiste

Consiste em:

  • assumir a internet como ambiente estrutural da cultura visual;
  • trabalhar com imagens de baixa fidelidade, remix, captura, scroll, feed e interface;
  • cruzar galerias, redes sociais, branding e circulação digital;
  • explorar a estetização da cultura online;
  • reflectir criticamente sobre cópia, presença, mediação e excesso.phaidon+1

7. Características principais

As características mais frequentes incluem:

  • mistura de online e offline.
  • uso de linguagem visual de plataformas.
  • apropriação de estilos de circulação digital.
  • atenção à materialidade da rede.
  • ironia, saturação ou ambivalência face à cultura digital.
  • consciência da imagem como objecto circulante e mutável.artsy+2

8. Autores e referências

  • Marisa Olson é uma referência fundamental na formulação inicial do termo.artsy+1
  • Gene McHugh contribuiu para a sua divulgação crítica e curatorial.artsy
  • Debates posteriores em crítica de arte e teoria dos media alargaram o conceito para pensar a cultura visual contemporânea.frieze+1
  • Em teoria mais ampla, o tema cruza-se com pós-medialidade, media aesthetics e economia cultural digital.guia.unl+1

9. Aplicações concretas

  • Artes visuais: obras que incorporam estética de rede, interface, feed, meme ou captura de ecrã.artsy+1
  • Curadoria: exposições pensadas para circulação digital e física ao mesmo tempo.
  • Design editorial: livros e publicações que simulam ou reconfiguram estruturas web.
  • Investigação artística: reflexão sobre o papel da internet na produção e recepção da obra.
  • Performance e vídeo: uso de formatos e ritmos ligados à cultura online.aaltodoc.aalto+1

10. Relação com artistic research

A estética pós-internet é muito útil em artistic research porque ajuda a analisar como a pesquisa, a imagem e a publicação são hoje mediadas por infraestruturas digitais. Também fornece um vocabulário para projectos que trabalham entre plataforma, arquivo, interface, circulação e presença física. Em muitos casos, ela não é uma metodologia em si, mas um quadro crítico e estético que influencia a forma como um projecto é feito, mostrado e lido.artsy+1

11. Exemplos de uso

  • Obras que parecem sair de um feed para o espaço expositivo.
  • Publicações que misturam captura de ecrã, texto e artefactos de navegação.
  • Instalações que cruzam imagem digital e objecto físico.
  • Projectos curatoriais sobre a vida pós-plataforma.
  • Ensaios visuais sobre circulação, cópia e mutação da imagem.artsy+2

12. Forças da estratégia

  • Captura bem a condição cultural contemporânea.
  • Permite analisar a circulação de imagens e estilos.
  • É um bom conceito de transição entre digital e físico.
  • Ajuda a pensar a estética como ecologia de media e redes.
  • É flexível para arte, design, edição e curadoria.guia.unl+1

13. Limites e cuidados

  • Pode tornar-se um rótulo demasiado amplo.
  • Às vezes é usado apenas como estilo visual, sem reflexão crítica.
  • Corre o risco de normalizar a lógica das plataformas que pretende analisar.
  • Precisa de contextualização histórica para não se confundir com “arte digital” em geral.artsy+1

14. Formulação editorial para o diretório

Estética pós-internet é um conceito crítico e estético que descreve a cultura visual e artística moldada pela omnipresença da internet, cruzando online e offline, imagem circulante, interface, branding e mediação digital. Em artistic research, é útil para projectos que trabalham imagem, circulação, arquivo e presença em ambientes de rede.artsy+1

15. Classificação final

Tipo: conceito crítico / estético / cultural.
Relação com artistic research: alta, mas não necessariamente metodológica.

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