Nonsense literário

1. Designação

Nonsense literário.

2. Classificação

Conceito estético, poético e retórico.
Relação com artistic research: alta, especialmente em escrita experimental, ilustração, livro-arte e linguagem como matéria sonora e visual.

3. Definição curta

Forma de escrita que explora o jogo com a linguagem, o absurdo aparente, a lógica desviada e a criação de sentido por estranhamento, trocadilho e desconexão controlada.repositorio.unesp+1

4. Definição longa

O nonsense literário não é simplesmente “falta de sentido”. Em muitos casos, ele constrói um sentido próprio ao subverter a lógica habitual da linguagem, criando associações inesperadas, paradoxos, neologismos, repetições, trocadilhos e situações impossíveis. A sua força está em pôr o leitor perante uma gramática do insólito, onde a coerência não desaparece, mas passa a ser produzida por outras regras, menos racionais e mais lúdicas.ciberduvidas-ql.iscte-iul+2

5. Origem e enquadramento

O termo vem do inglês nonsense (“sem sentido”), mas na literatura designa um género ou modo de escrita com tradição própria, muito associado à literatura infantil, à poesia lúdica e a certas formas de modernidade literária. A tradição anglófona é central, com nomes como Lewis Carroll, Edward Lear e, mais tarde, autores que trabalham o absurdo, o jogo verbal e a lógica paradoxal. Em contexto lusófono, o conceito aparece muitas vezes em diálogo com literatura infantil, poesia experimental e humor verbal.wikipedia+5

6. Em que consiste

Consiste em:

  • brincar com palavras, sons e significados;
  • criar situações ilógicas mas internamente coerentes;
  • explorar trocadilhos e ambiguidades;
  • tensionar a relação entre norma e desvio;
  • produzir surpresa, humor e estranhamento;
  • deixar a linguagem funcionar como invenção, não apenas como representação.ler.letras.up+1

7. Autores e obras de referência

Autores clássicos

  • Lewis Carroll, sobretudo Alice’s Adventures in Wonderland e Through the Looking-Glass.wikipedia+1
  • Edward Lear, com limericks e poemas absurdos.
  • Christian Morgenstern, na poesia lúdica e absurda.

Contexto lusófono e estudos

  • Estudos sobre escrita nonsense em literatura infantil e experimental.ler.letras.up+1
  • Obras contemporâneas que exploram humor, nonsense e imaginação verbal, como selecções editoriais em literatura para crianças.le+1

8. Características principais

  • Jogos de linguagem.
  • Inversão de lógica.
  • Humor e nonsense como construção, não como erro.
  • Figuras impossíveis ou deslocadas.
  • Ritmo verbal e sonoridade.
  • Estranhamento produtivo.
  • Relação próxima com o absurdo, mas não idêntica a ele.repositorio.unesp+1

9. Diferença entre nonsense e absurdo

A distinção é importante:

  • Nonsense: trabalha com a linguagem e a produção de sentido por desvio, jogo e lógica interna peculiar.repositorio.unesp+1
  • Absurdo: tende mais para a ausência de sentido ou para a experiência existencial do sem-sentido.

Ou seja, o nonsense não é simplesmente caos; muitas vezes é uma forma altamente estruturada de subverter a norma.quindim+1

10. Aplicações concretas

  • Literatura infantil: histórias e poemas com lógica inventiva e personagens impossíveis.companhiadasletras+1
  • Poesia experimental: exploração de sonoridade, repetição e jogos semânticos.bpp+1
  • Livro ilustrado: combinação de imagem e texto para gerar sentido deslocado.le+1
  • Teatro e performance: falas desconectadas, humor e lógica fracturada.
  • Artistic research: experimentação com linguagem, montagem e processos de desconstrução do sentido.youtubeler.letras.up

11. Relação com artistic research

O nonsense literário é muito útil em artistic research porque mostra que a linguagem pode ser um campo de invenção, não apenas de comunicação direta. Pode servir para investigar a materialidade da palavra, o humor, o erro produtivo, a imaginação infantil, a lógica do estranho e as bordas entre sentido e não sentido. Também é especialmente fértil quando o projecto cruza texto, imagem e som.youtubeler.letras.up

12. Forças do conceito

  • Abre a linguagem à invenção.
  • Produz estranhamento com forte efeito crítico e lúdico.
  • É útil para trabalhar público infantil e adulto.
  • Dá boas ferramentas para experimentação formal.
  • Permite questionar a relação entre norma linguística e criatividade.quindim+1

13. Limites e cuidados

  • Pode ser confundido com simples “disparate”.
  • Nem toda a escrita absurda é nonsense literário.
  • O conceito é mais rigoroso quando se observa a lógica interna do jogo verbal.
  • Em contexto académico, convém não o reduzir a mero humor.ler.letras.up+1

14. Formulação editorial para o diretório

Nonsense literário é uma forma de escrita que explora o jogo com a linguagem, a lógica desviada e o estranhamento, criando sentido por meio de trocadilhos, paradoxos e associações improváveis. Em artistic research, é especialmente útil para escrita experimental, literatura infantil, poesia e práticas híbridas entre texto e imagem.repositorio.unesp+1

15. Classificação final

Tipo: conceito estético / poético / retórico.
Relação com artistic research: alta.

Se quiseres, a próxima ficha pode ser absurdo literário, escrita automática ou imaginação infantil — todos dialogam muito bem com este conceito.

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