Nonsense como sistema

1. Designação

Nonsense como sistema.

2. Classificação

Conceito poético-estrutural / retórico.
Relação com artistic research: alta, sobretudo quando o nonsense não aparece como caos, mas como regra interna de composição.

3. Definição curta

Forma de organização em que o aparente sem-sentido é produzido por uma lógica própria, consistente e repetível, mesmo que essa lógica seja desviada da norma.

4. Definição longa

Pensar o nonsense como sistema significa recusar a ideia de que ele é mera ausência de estrutura. Pelo contrário, em muitos casos ele funciona como um mecanismo rigoroso de desvio: estabelece regras, repetições, relações sonoras, encadeamentos ilógicos, inversões semânticas e procedimentos de montagem que produzem estranhamento de forma estável. O efeito é o de um mundo em que as normas habituais foram substituídas por outras, mais lúdicas, paradoxais ou absurdas, mas ainda reconhecíveis como sistema.

5. Em que consiste

Consiste em:

  • criar coerência interna a partir do desvio;
  • organizar o texto ou a imagem por regras não convencionais;
  • explorar repetições, jogos de linguagem e paradoxos;
  • fazer o leitor perceber uma lógica onde parecia haver apenas caos;
  • transformar o absurdo em método.

6. Autores e obras de referência

Mesmo sem citar agora uma bibliografia específica, o modelo clássico está em Lewis Carroll, cuja obra mostra como o nonsense pode ser altamente estruturado, com jogos lógicos, linguísticos e matemáticos. Também é importante a tradição do nonsense literário anglófono, em que o absurdo aparente é sustentado por ritmo, forma, rima e padrões de repetição. Em contexto crítico, há leituras que tratam o nonsense como “lógica do jogo das coisas ilógicas”.

7. Aplicações concretas

  • Literatura infantil com regras de mundo próprias.
  • Poesia experimental baseada em repetição e deslocamento.
  • Teatro do absurdo e performance verbal.
  • Livro-objeto em que a ordem das páginas cria sentido por desvio.
  • Artistic research quando o processo quer organizar a experiência por regras inventivas, não convencionais.

8. Relação com artistic research

Este conceito é muito útil porque ajuda a descrever projectos que parecem caóticos, mas que na verdade obedecem a uma lógica interna bem definida. Em investigação artística, isso pode aparecer em sistemas de escrita automática com restrições, em arquivos organizados por associações inesperadas, em instalações com regras próprias ou em métodos de composição que usam o acaso de forma controlada. Ou seja, o nonsense como sistema é menos “sem sentido” do que “sentido por outras vias”.

9. Diferença importante

  • Nonsense como efeito: parece desordenado.
  • Nonsense como sistema: é desordenado apenas à luz da norma; por dentro, tem método.

10. Formulação editorial para o diretório

Nonsense como sistema é uma forma de organização poética em que o desvio da lógica comum não elimina a estrutura, mas substitui-a por uma lógica própria, repetível e reconhecível. Em artistic research, é especialmente útil para práticas de escrita, imagem e composição que transformam o absurdo em método.

11. Classificação final

Tipo: conceito poético-estrutural / retórico.
Relação com artistic research: alta.

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