Alexandre Herculano
Planeta DeAgostini, 2002
Colecção: Os Grandes Clássicos da Literatura Portuguesa
Direcção de Vasco Graça Moura
Campo: Território · Linhagem
Projectos relacionados: Land of Serpents · Anamnese
Sobre o livro
Publicado originalmente em 1844, Eurico, o Presbítero é um romance histórico situado no início do século VIII, durante a desagregação do reino visigótico e a invasão muçulmana da Península Ibérica.
Eurico, antigo guerreiro e poeta, torna-se presbítero depois de ver rejeitado o seu amor por Hermengarda. Quando a Península é invadida, regressa clandestinamente ao combate sob a identidade do Cavaleiro Negro.
A narrativa cruza história, lenda, guerra, amor impossível, religião e memória de um território em transformação.
Porque está neste jardim
Este livro interessa-me pela forma como aproxima história, lenda e imaginação, mas sobretudo pelo período em que decorre: o início do século VIII, durante a desagregação do reino visigótico e a transformação política da Península Ibérica.
É também o tempo de D. Pedro de Cantábria e de Pelágio, duas figuras centrais na passagem entre o mundo visigótico e a formação do reino das Astúrias. Pedro, duque de Cantábria, foi pai de Afonso I, que viria a casar com Ermesinda, filha de Pelágio, unindo duas linhagens associadas aos primeiros núcleos de resistência cristã no Norte peninsular.
Interessa-me este período pela escassez e fragmentação das fontes, pelas genealogias incertas e pela forma como história, memória dinástica e construção lendária se foram sobrepondo ao longo dos séculos.
A narrativa de Herculano permite entrar imaginativamente nessa época de ruptura. Através de personagens divididas entre diferentes fidelidades, identidades e formas de pertença, o romance dá espessura humana a um território em transformação.
A obra relaciona-se ainda com a minha leitura da Crónica Albeldense e com a investigação sobre D. Pedro de Cantábria, Pelágio e as linhagens que emergiram depois do colapso do poder visigótico. Coloca lado a lado o que foi documentado, o que permanece provável, o que foi transmitido pelas crónicas e aquilo que a literatura torna novamente visível.
Ligações
— D. Pedro de Cantábria e a linhagem de Afonso I
— Pelágio e a formação do reino das Astúrias
— A queda do reino visigótico
— A Crónica Albeldense e as primeiras crónicas asturianas
— Genealogia, memória dinástica e legitimação política
— História, tradição, lenda e ficcionalização
— A Península Ibérica como território de sucessivas camadas
Fragmento
“Crónica-poema, lenda ou o que quer que seja.”
Alexandre Herculano, Eurico, o Presbítero, Prólogo, p. [confirmar na edição consultada].
Referência
HERCULANO, Alexandre — Eurico, o Presbítero. Colecção dirigida por Vasco Graça Moura. Planeta DeAgostini, 2002.
Consultar: texto integral em domínio público no Project Gutenberg ou na Wikisource.