O festival alemão de arte e cultura digital mantém um programa anual de residências abertas a artistas, investigadores e teóricos. As vagas de 2026 já têm residentes; os Lattice Labs para 2027 aceitavam candidaturas até junho.
O transmediale, festival de arte e cultura digital sediado em Berlim, fundado em 1988 e financiado pela Kulturstiftung des Bundes desde 2004, mantém um programa de residências que é parte central da sua missão ao longo do ano, fora do período de festival.
O programa oferece residências híbridas de dois meses, quatro semanas de trabalho remoto seguidas de um mês presencial no espaço de estúdio do transmediale em Berlim, dirigidas a investigadores, artistas, teóricos, práticos e ativistas que trabalham nas intersecções entre arte, tecnologia e sociedade.
As residências de 2026 apoiam práticas de investigação que desenvolvem projetos existentes ou constroem novos, em áreas como estudos de media, estudos de ciência e tecnologia, arte e teoria dos media, crítica de arte, arte digital e práticas de imagem em movimento. O enquadramento temático deste ano parte de uma premissa política explícita: em contexto de urgências políticas e ecológicas crescentes e de divisões sociais aprofundadas, o programa convida propostas que explorem os modos relacionais das práticas de arte digital que se envolvem criticamente com as dimensões sociais e os (ab)usos da tecnologia.
Para 2026, o programa inclui quatro modalidades em parceria com instituições internacionais. A Residência de Arte Digital em cooperação com o Pro Helvetia (Conselho Suíço das Artes) apoia artistas suíços ou residentes na Suíça. A Residência transmediale x ARKO, em cooperação com o Arts Council Korea, destina-se a um artista de nacionalidade coreana. A Residência Vilém Flusser para Investigação Artística, em cooperação com a Universität der Künste Berlin, é a mais antiga do programa (fundada em 2012), e dirige-se a um artista baseado em Berlim. A quarta modalidade, coExistence, é desenvolvida em colaboração com o HEK e o Pleamar. Transmediale
Cada residência é apoiada com uma bolsa de 1.500 euros por mês, com apoio adicional à produção e à deslocação e alojamento para o período presencial em Berlim. Candidaturas de duos ou coletivos são aceites, partilhando o mesmo valor.
Os residentes selecionados para 2026 já estão em curso. Entre eles, Martyna Marciniak, residente Vilém Flusser 2026, trabalha sobre casos coletivos de memória falsa e o conceito de hiperstição – o entrelaçamento recursivo entre ficção e realidade, em que cenários imaginados começam a moldar a perceção e a possibilidade futura. Amanda E. Metzger, residente Pro Helvetia 2026, explora o potencial imaginativo das lacunas de informação, ligando ciência da computação e computação quântica e biológica com estudos de memória, investigando tecnologias de compressão como ferramenta generativa.
Para quem acompanha o programa tendo em vista a candidaturas futuras, o transmediale abriu também os Lattice Labs, um formato de laboratório colaborativo orientado para o festival de 2027, aberto a artistas emergentes, investigadores, curadores, estudantes e práticos de todas as disciplinas, com compromisso de processo ativo entre julho de 2026 e janeiro de 2027.
O programa completo de residências pode ser consultado em transmediale.de/en/residents.
Imagem: Transmediale open studio June 2025/ Korea