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Helena Dulac

by Inês Soares

A mulher que sobreviveu como nome numa carta alheia

Nome: Helena Dulac

Estatuto: mulher histórica de existência documentada apenas por relação
Origem documental: carta do Juiz Augusto Pinto Osório (15 de Abril de 1909), publicada na Gazeta Ilustrada de Ponte de Lima em 1910
Época: primeiras décadas do século XIX
Filiação: filha de António (Antoine) Maximino Dulac, emigrado francês naturalizado português, par do reino
Vínculo: noiva de Inácio Perestrelo Marinho, oficial liberal enforcado em 1829
Campo: Mulheres · Espelho · Sombras · Linhagem
Categoria principal de apagamento: existência por relação e apagamento documental
Categorias secundárias: a mulher como causa não-registada · apagamento da possibilidade · estetização do silêncio · invisibilidade arquivística feminina
Estado espectral: a noiva que espera, recuperada de uma única carta, ausente do túmulo e do registo de nascimento


Nota preliminar

Helena Dulac é, em simultâneo, sujeito desta Galeria e a sua figura de origem.

Foi a tentativa de a encontrar — uma mulher de quem o arquivo quase nada guardou — que tornou necessário todo o projecto da Anamnese. A ficha que se segue documenta a sua história e, ao fazê-lo, expõe o mecanismo que a Galeria existe para observar: a maneira como a memória colectiva preserva o gesto de um homem e descarta a mulher que esse gesto tinha por objecto.

A epígrafe que abre o material primário é de Virgínia Woolf: «Não sabemos nada de pormenor. Nada de perfeitamente verdadeiro e substancial sobre ela.» A frase foi escrita a propósito das mulheres ausentes da história. Aplica-se a Helena com uma exactidão desconfortável.


Biografia documental

Helena Dulac existe no registo histórico através de três pontos de contacto, e de nenhum outro.

O primeiro é a sua filiação. O pai, António Maximino Dulac, nasceu em França, filho de Marie Thérèse e Antoine Dulac, proprietários vinícolas da região de Corrèze. Estudou em Paris e frequentou na juventude o salão de Madame Helvétius. Em Setembro de 1793, com o Terror a perseguir girondinos, maçons e contra-revolucionários, fugiu para Lisboa. Naturalizou-se português, casou com D. Mariana Clara de Valladares Souto Maior, tornou-se oficial do Estado-Maior do Reino e par do reino, e manteve em sua casa um salão onde se reuniam as mentes progressistas do tempo. O prestígio do pai permitiu que as filhas fossem admitidas entre as damas da boa sociedade lisboeta. Helena existe, à partida, como uma dessas filhas.

O segundo ponto de contacto é o homem que a amou. Inácio Perestrelo Marinho nasceu na Casa das Regadas, em Ponte de Lima. Combateu na Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão, distinguiu-se em Wagram e foi agraciado com a Legião de Honra. Liberal, apoiante de D. Pedro, ocupou cargos militares no Norte. Com a usurpação do trono por D. Miguel, partiu para o exílio em Inglaterra. Regressou clandestinamente a Lisboa, disfarçado, em pleno terror miguelista — segundo o testemunho que sobrevive, por causa de uma mulher. Foi capturado e enforcado a 6 de Março de 1829, no Cais do Sodré, sob o nome falso de Joaquim Velez Barreiros. No cadafalso declarou a sua verdadeira identidade.

O terceiro ponto de contacto é uma carta. Em 1909, o Juiz Augusto Pinto Osório escreveu a António de Magalhães, Visconde de Cortegaça, a revelar o nome da mulher por quem o soldado de Wagram arriscara e perdera a vida. É nessa carta — e apenas nela — que se lê: «Chamava-se Helena Dulac.» O remetente acrescenta que era de família respeitável e distinta, e que tinha «um nome poético e fatal».

Fora destes três pontos, não há Helena.


O que o arquivo guarda e o que não guarda

A pesquisa genealógica que tentou reconstituir a sua vida encontrou quase tudo à sua volta e nada dela.

Localizou o registo de casamento dos pais. Localizou os nomes e a origem dos avós. Localizou os livros publicados pelo pai e o seu obituário. Localizou o testamento de uma irmã e o retrato, bastante conhecido, de uma sobrinha. A linhagem está documentada em todas as direcções.

Helena, no centro dessa linhagem, está ausente.

Antes de 1911, os nascimentos eram registados apenas nas certidões de baptismo manuscritas nos livros paroquiais, e o de Helena não foi encontrado. O jazigo da família Dulac foi inventariado desde a fundação, e Helena não consta entre os seus ocupantes. O obituário do pai, publicado no Diário do Governo em Janeiro de 1850, menciona cinco filhos. A narrativa familiar fala de sete. Helena não está entre os cinco nomeados, o que permite concluir que terá morrido antes do pai.

Uma mulher que existiu o suficiente para um homem morrer por ela, e que não deixou certidão de nascimento, nem campa, nem lugar no obituário do próprio pai.


Forma de apagamento

Helena é apagada por relação e por omissão arquivística.

A sua visibilidade é inteiramente derivada. É filha de, é noiva de. Possui posição social pelo pai e importância narrativa pelo noivo. Em nenhum documento aparece como sujeito de uma acção própria. O que dela se sabe — que era bela, que era distinta, que era amada — é sempre formulado a partir do olhar de outro.

Este mecanismo distingue-a da Sibyl Vane. Sibyl é destruída pela idealização estética: existe, é vista, e é anulada no instante em que tenta tornar-se sujeito. Helena nunca chega a ser vista. O seu apagamento é anterior. Não há registo de uma vontade que tenha sido recusada, porque não há registo de vontade alguma. A Galeria não pode observar Helena a ser silenciada; só pode observar o silêncio já consumado e tentar ler o seu contorno.

A esse apagamento estrutural sobrepõe-se um segundo, mais subtil. Quando o nome de Helena é finalmente recuperado, é recuperado já transformado em lenda romântica. A carta de Osório não a descreve como pessoa. Chama-lhe «nome fatídico, nome de perdição», a formosa dama que dominou o coração de leão do valente soldado. No próprio gesto de a salvar do esquecimento, o recordador converte-a em causa fatal de uma tragédia masculina. Helena passa de mulher ausente a musa funesta. Continua sem existir.

São, portanto, dois apagamentos sucessivos:

  1. O arquivo apaga a pessoa ao registar apenas a linhagem que a rodeia.
  2. A memória recupera-a apenas como causa estética da morte de um homem.

Tese da ficha

A existência por relação constitui uma forma de apagamento quando uma mulher só consegue entrar na história através do pai que lhe dá estatuto e do homem que a ama.

Helena é importante na medida exacta da importância dos homens a que está ligada. O seu valor documental depende inteiramente deles. Quando esses homens desaparecem do primeiro plano — o pai morto, o noivo enforcado —, Helena não fica reduzida; fica simplesmente sem registo.

A ficha permite observar a diferença entre:

  • uma mulher ter existido;
  • uma mulher ter sido amada;
  • uma mulher ter sido nomeada;
  • uma mulher ter sido lembrada como pessoa.

Helena cumpre as três primeiras condições e falha a quarta. Existiu, foi amada ao ponto de um homem morrer, foi nomeada numa carta oitenta anos depois. Nunca foi lembrada como pessoa, porque nunca foi registada como tal.

A tragédia de Helena não está na morte. Está em não haver vida documentada a que a morte se possa referir.


O nome como presságio

O nome Helena é, ele próprio, um arquétipo do apagamento.

Helena de Tróia é a mulher nomeada como causa da catástrofe masculina — o rosto que lançou mil navios, a razão de uma guerra de dez anos, e contudo uma figura quase muda, cuja interioridade desaparece por completo atrás do desastre que supostamente provocou. A tradição guarda a guerra e perde a mulher. Helena Dulac repete a estrutura à escala de uma vida: o soldado, o exílio, o cadafalso, e ao centro uma mulher que é apenas «a razão por quem regressou».

O apelido Dulac acrescenta uma segunda camada. Du lac — do lago. A água, o limiar, a superfície que reflecte sem fixar. O nome inscreve Helena no domínio da fronteira aquática, da Dama do Lago que entrega a espada e recua para as águas, da imagem que existe na superfície e se desfaz quando se toca. É a partir desta ressonância que o projecto desdobra a figura de Lady DuLac, o seu reflexo no Mundo-Espelho, e a Casa do Lago, a arquitectura onde Helena se mantém suspensa.

Helena é, assim, duplamente predestinada pelo nome: a mulher nomeada como causa da ruína de um homem, e a figura que habita o limiar das águas, visível à superfície, inacessível em profundidade.

Esta leitura deve ser tratada como interpretação literária do nome, e não como prova de intenção.


Marcação epistemológica

Documentado no registo histórico

  • Existe uma carta de Augusto Pinto Osório, datada de 15 de Abril de 1909 e publicada em 1910, que nomeia Helena Dulac como a mulher amada por Inácio Perestrelo.
  • António Maximino Dulac foi um emigrado francês naturalizado português, par do reino, com obra publicada e obituário no Diário do Governo (Janeiro de 1850).
  • O obituário menciona cinco filhos e não nomeia Helena.
  • Inácio Perestrelo Marinho nasceu em Ponte de Lima, serviu na Legião Portuguesa, foi condecorado por Wagram, e foi enforcado a 6 de Março de 1829 sob nome falso, tendo declarado a sua identidade no cadafalso.
  • A pesquisa genealógica encontrou o casamento dos pais, os avós, a obra do pai, o testamento de uma irmã e o retrato de uma sobrinha.
  • Não foi encontrado registo de baptismo de Helena nem o seu lugar no jazigo da família.

Interpretado

  • Helena existiu como pessoa real, distinta da lenda em que foi convertida.
  • Terá sido uma das filhas omitidas do obituário, por ter morrido antes do pai.
  • O seu estatuto social derivava da posição do pai.
  • A sua ausência quase total do arquivo reflecte a invisibilidade estrutural das mulheres da sua época e condição.
  • A carta que a recupera fá-lo já estetizando-a como causa fatal de uma tragédia masculina.

Provável dentro da lógica histórica

  • A família terá tido sete filhos, dos quais cinco sobreviveram para serem nomeados em 1850.
  • Helena terá nascido possivelmente em Sintra, onde a família passava temporadas.
  • O noivado com Inácio Perestrelo precedeu o exílio deste em 1828.

Especulativo

  • A educação, os interesses, o temperamento e a vida interior de Helena são inteiramente desconhecidos.
  • As perguntas do prefácio — se teve um quarto só seu, que livros lia, se era dócil ou rebelde — não têm resposta possível a partir das fontes.
  • A data e as circunstâncias da sua morte permanecem por estabelecer.

Imaginado / ficcionalizado no projecto

  • Toda a cosmologia da reencarnação: o espírito de Helena preso a um instante, a mansão-sepulcro, a espera de quase duzentos anos.
  • Núria, a genealogista do presente que é Helena reencarnada, e Óscar, seu companheiro.
  • Merú e o Templo da Lua; Gabriele Pallastrelli, o astrólogo; Dória; a identificação com Circe e o regresso cíclico de Inácio vida após vida.
  • O romance companheiro A Casa do Lago e a figura de Lady DuLac.
  • Quaisquer cartas, diários ou monólogos interiores atribuídos a Helena.

A fronteira entre o quarto e o quinto registos é o objecto central desta ficha. O núcleo documental cabe em três parágrafos. Tudo o resto é reconstituição, interpretação ou invenção declarada. Essa desproporção não é um defeito do material; é o retrato exacto do apagamento.


Arquétipo

A mulher recordada apenas como causa

Helena encarna a mulher cuja única passagem para a história é a de ter sido a razão de um homem — amada, perdida, lamentada, e jamais registada por si.

O arquétipo manifesta-se nas noivas, nas musas, nas viúvas e nas filhas de homens notáveis, cuja existência só atravessa o arquivo enquanto explicação de um destino masculino. São visíveis no momento exacto em que motivam uma acção de outro, e invisíveis em todo o resto da vida.

Quando se procura a mulher por detrás da causa, encontra-se um nome e nada mais.


Deusa correspondente

Eurídice — a amada perdida no regresso

A correspondência é interpretativa.

Eurídice existe na tradição quase só como objecto de uma demanda. É a mulher pela qual Orfeu desce ao mundo inferior, a perda que motiva o canto, a presença que se desfaz no limiar quando o herói se volta para a procurar. O mito conserva a viagem de Orfeu e a sua música; de Eurídice guarda o nome e o instante do desaparecimento.

Helena ocupa a mesma posição. Inácio é o herói que regressa do exílio e desce ao território perigoso por causa dela. Ela é aquilo que se procura e que não se consegue trazer de volta à luz. Permanece do outro lado, no limiar das águas, visível e intocável.

Ressonância secundária: Penélope, a que espera um regresso que se eterniza.

Identificação interna ao projecto: a ficção alinha Helena com Circe, ligada a Inácio vida após vida. Esta correspondência pertence ao registo imaginado e não à leitura analítica da figura histórica.


Artefactos documentais

A carta de Osório

O único documento que dá nome a Helena. Uma carta privada, escrita oitenta anos após os factos, publicada num jornal de província. Toda a existência arquivística de Helena assenta neste papel.

O obituário do pai

O documento que a apaga ao nomear cinco filhos e omitir o sexto. A ausência de Helena neste texto é, paradoxalmente, uma das poucas provas indirectas da sua morte.

O registo do jazigo

A lista dos ocupantes do túmulo familiar, onde Helena não consta. O lugar onde deveria estar e não está.

A linhagem documentada

O casamento dos pais, os avós, a obra do pai, o testamento da irmã, o retrato da sobrinha. O arquivo completo de uma família, com um vazio exacto no sítio de Helena.


Artefacto imaginário

A entrada que falta no livro de baptismos

Uma página de um livro paroquial anterior a 1911, manuscrita, com as entradas de baptismo dos irmãos de Helena alinhadas por data.

Entre duas delas, uma linha em branco.

Na margem, a lápis, uma anotação de mão recente:

«Aqui deveria estar Helena. Não está.»

Marcação: imaginado.


Possível tratamento visual

  • uma árvore genealógica completa com um único ramo apagado;
  • a superfície de um lago que reflecte uma fachada amarela já em ruína;
  • uma carta manuscrita do início do século XX, com o nome Helena Dulac a emergir do texto;
  • um jazigo de família com uma lápide por gravar;
  • uma página de obituário com cinco nomes e um espaço vazio;
  • um vestido vermelho-escuro suspenso num quarto sem ocupante;
  • uma ponte em ruínas sobre o rio, entre duas margens de épocas diferentes;
  • um casaco azul-escuro de gola vermelha que se afasta, de costas, sem rosto;
  • um espelho ao fundo de um corredor, reflectindo um corredor vazio.

Potencial ficcional

Helena oferece várias direcções para o ciclo, já parcialmente desenvolvidas no material existente.

A noiva que não atravessa

O espírito de Helena permanece preso à casa à beira-rio, recusando libertar-se do instante da última promessa. A história desenrola-se inteiramente nesse limiar suspenso, entre o regresso prometido e o regresso impossível.

A genealogista

Uma investigadora do presente procura obsessivamente uma mulher que o arquivo não guarda, e descobre que a procura é, afinal, uma procura de si. A demanda genealógica como forma de anamnese.

A carta

A reconstituição ficcional do momento em que Augusto Pinto Osório decide, oitenta anos depois, escrever o nome de Helena. O instante exacto em que uma mulher é salva do esquecimento e simultaneamente fixada como lenda.

O obituário

Cinco filhos são nomeados. Um sexto, lido em voz alta por quem redige, é riscado da lista por uma razão que a narrativa lentamente revela. A escrita do apagamento, no momento em que acontece.

As irmãs

As filhas Dulac que sobreviveram ao registo conversam, ao longo dos anos, sobre a irmã que desapareceu da memória da família. O apagamento contado por quem ficou.


Interligações

Galeria das Sombras Helena estabelece a categoria do apagamento documental e da existência por relação, e constitui o ponto de origem da própria Galeria — a mulher cuja ausência tornou necessário o arquivo.

Galeria das Sombras · apagamento da possibilidade Helena dialoga directamente com Judith Shakespeare. As duas são definidas pelo que não se pode saber. A diferença é decisiva: Judith é uma hipótese, uma mulher que nunca existiu; Helena existiu, e mesmo assim quase não deixou rasto. O apagamento da possibilidade, no caso de Helena, é o apagamento de uma vida real.

O Outro Lado do Espelho Helena desdobra-se em Lady DuLac, o seu reflexo no Mundo-Espelho, e atravessa as suas reencarnações. A ficha permite investigar a relação entre a mulher histórica e as suas figuras-espelho.

Linhagem A família Dulac, a sua origem francesa, a fuga ao Terror e a integração na sociedade lisboeta articulam Helena com o campo da Linhagem e com a investigação sobre Inácio Perestrelo.

A Casa do Lago O romance companheiro situa Helena e Inácio no mesmo ciclo temático. A ficha funciona como fundamento documental dessa ficção.

Contos góticos A casa assombrada, o espelho ao fundo do corredor, a ponte em ruínas, o noivo que regressa do outro lado do tempo e a genealogista possuída pela demanda constituem materiais centrais para o ciclo gótico.


Estado da investigação

Ficha em desenvolvimento.

É necessário aprofundar:

  • a verificação independente da execução de Inácio Perestrelo e da data de 6 de Março de 1829;
  • a identificação documental dos cinco filhos nomeados no obituário de 1850 e a reconstituição da prole completa;
  • a história editorial da carta de Augusto Pinto Osório e a sua publicação na Gazeta Ilustrada de Ponte de Lima;
  • a obra publicada de António Maximino Dulac e a sua trajectória de emigrado;
  • a condição das mulheres da pequena nobreza naturalizada na Lisboa do primeiro liberalismo;
  • a articulação entre invisibilidade arquivística, género e classe;
  • a função de Helena como musa funesta na construção romântica posterior da figura de Perestrelo;
  • a relação entre a investigação genealógica de origem familiar e a sua transformação em material ficcional.

A Galeria não procura inventar a Helena que o arquivo perdeu. Procura observar o mecanismo que a tornou visível como causa, a apagou como pessoa e a devolveu à memória já transformada em lenda.

A fonte documental estabelece o nome, a filiação, o vínculo a Inácio Perestrelo e a ausência de registo próprio. Tudo o que excede esse núcleo — a vida interior, a reencarnação, a casa à beira-rio, as figuras que dela se desdobram — pertence ao trabalho de reconstituição e invenção, e é assinalado como tal.

Helena Dulac é, no fim, a prova de que uma mulher pode ter sido a razão de uma morte célebre e continuar a não ter história. É essa desproporção, e não a sua biografia, que a Galeria conserva.

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